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Gestão Hospitalar4 min de leitura

Gestão de Custos Operacionais: Onde os Hospitais Mais Desperdiçam

Identifique os principais pontos de desperdício nos custos operacionais hospitalares e descubra estratégias práticas para reduzi-los sem afetar a assistência.

Julia Revoluna

Julia Revoluna

5 de junho de 2025

A gestão de custos operacionais é um dos pilares mais críticos da administração hospitalar. Segundo dados da ANAHP, os custos hospitalares cresceram 12% acima da inflação nos últimos cinco anos, pressionando margens que já são apertadas — a margem EBITDA média do setor privado gira em torno de 14%.

Onde os hospitais mais desperdiçam

1. Pessoal (45-55% da receita)

O maior custo hospitalar é com folha de pagamento, mas o desperdício não está necessariamente em pagar demais — está em dimensionar mal.

Principais problemas:

  • Escalas mal planejadas com excesso de horas extras (até 30% a mais sobre o custo base)
  • Absenteísmo crônico que gera necessidade de plantonistas de última hora a preços elevados
  • Turnover alto — o custo de substituir um enfermeiro equivale a 6-9 meses de salário
  • Retrabalho por falta de treinamento ou processos mal definidos

2. Materiais e medicamentos (20-30% da receita)

  • Compras emergenciais com preços até 40% maiores que compras programadas
  • Desperdício de materiais por abertura desnecessária de kits cirúrgicos
  • Vencimento de medicamentos por falta de controle de estoque (FIFO/FEFO)
  • Falta de padronização — múltiplas marcas do mesmo item sem justificativa clínica

3. Exames e procedimentos desnecessários

Estudos estimam que 30% dos exames laboratoriais em hospitais brasileiros são desnecessários ou redundantes. Isso inclui:

  • Repetição de exames já realizados em outro serviço
  • Exames de rotina sem indicação clínica clara
  • Check-ups pré-operatórios extensos sem protocolo baseado em evidências

4. Energia e infraestrutura

Hospitais consomem 2-3 vezes mais energia que edifícios comerciais de mesmo porte:

  • Iluminação ineficiente em áreas de baixo fluxo
  • Ar-condicionado operando 24h sem setorização
  • Equipamentos antigos com alto consumo energético
  • Falta de manutenção preventiva gerando reparos emergenciais caros

5. Glosas e faturamento

Hospitais brasileiros perdem em média 3-8% do faturamento com glosas de operadoras. As causas mais comuns:

  • Prontuário incompleto ou ilegível
  • Códigos TUSS incorretos
  • Falta de autorização prévia documentada
  • Materiais e medicamentos sem justificativa em prontuário

Estratégias para reduzir custos sem comprometer a qualidade

Gestão de pessoal inteligente

  • Dimensionamento por demanda: use dados históricos para montar escalas proporcionais ao volume de cada turno
  • Banco de profissionais confiáveis: plataformas como a Revoluna permitem preencher escalas com médicos qualificados sem recorrer a intermediários caros
  • Programa de retenção: investir em clima organizacional custa menos que recrutar constantemente

Cadeia de suprimentos eficiente

  • Comissão de padronização multidisciplinar para definir o rol de materiais
  • Compras por licitação/cotação com contratos de longo prazo
  • Sistema de estoque com ponto de pedido automático
  • Curva ABC para priorizar controle dos itens de maior impacto financeiro

Redução de desperdício clínico

  • Protocolos baseados em evidências para solicitação de exames
  • Alertas no prontuário eletrônico para exames duplicados
  • Auditoria clínica interna mensal dos 20 exames mais solicitados

Eficiência energética

  • LED em todas as áreas (payback em 12-18 meses)
  • Automação de climatização por zonas e horários
  • Contratos de manutenção preventiva para equipamentos críticos
  • Geração distribuída (energia solar) para reduzir custos no médio prazo

Redução de glosas

  • Equipe dedicada de auditoria pré-faturamento
  • Treinamento contínuo de equipes assistenciais sobre registro em prontuário
  • Reconciliação diária de materiais e medicamentos com o faturamento

O impacto financeiro da gestão eficiente

Um hospital de 200 leitos que implementa essas estratégias de forma integrada pode esperar:

  • Redução de 10-15% nos custos com pessoal (escalas otimizadas)
  • Redução de 15-20% em compras de materiais (padronização e planejamento)
  • Redução de 50% nas glosas (auditoria pré-faturamento)
  • Aumento de 2-4 pontos percentuais na margem EBITDA

Conclusão

A gestão de custos operacionais eficiente não significa cortar — significa gastar melhor. Hospitais que investem em processos, tecnologia e pessoas conseguem reduzir desperdícios e, ao mesmo tempo, melhorar a qualidade assistencial. O primeiro passo é mapear onde estão as maiores oportunidades na sua instituição.


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