Plantão em UTI: O Que Esperar da Rotina, Protocolos e Remuneração
O plantão em UTI é considerado um dos mais desafiadores — e também um dos mais bem remunerados — da medicina. Se você está pensando em atuar em terapia intensiva, este guia traz um panorama realista do que encontrará.
Como funciona a rotina de um plantão em UTI
A dinâmica de um plantão em UTI é diferente de um pronto-socorro ou enfermaria. Você é responsável por pacientes graves e instáveis, o que exige atenção contínua.
Plantão típico de 12 horas em UTI:
- Passagem de plantão (30–60 min): revisão detalhada de cada leito
- Ronda inicial: avaliação clínica, ajuste de drogas vasoativas, parâmetros ventilatórios
- Procedimentos: acesso venoso central, intubação, drenagem, passagem de cateter
- Evolução e prescrição: documentação completa de cada paciente
- Intercorrências: PCR, instabilidade hemodinâmica, sepse
- Passagem de plantão final: atualização para o colega que assume
Protocolos essenciais que você precisa dominar
Para atuar com segurança em UTI, tenha fluência nos seguintes protocolos:
- Sepse e choque séptico (Surviving Sepsis Campaign)
- Ventilação mecânica protetora (ARDS Network)
- Sedação e analgesia (escala RASS, BPS)
- Nutrição em paciente crítico (ASPEN/ESPEN)
- Prevenção de TEV e úlcera de estresse
- Protocolo de morte encefálica (CFM 2.173/2017)
- Bundle de prevenção de infecção (PAV, ITU, IPCS)
Remuneração do plantão em UTI
Os valores variam conforme a região, rede (pública ou privada) e se o médico tem título de intensivista (TEA/AMIB).
| Tipo de UTI | 12 horas | 24 horas |
|---|---|---|
| UTI SUS (interior) | R$ 1.200–R$ 1.800 | R$ 2.400–R$ 3.500 |
| UTI SUS (capitais) | R$ 1.500–R$ 2.200 | R$ 3.000–R$ 4.500 |
| UTI privada | R$ 2.000–R$ 3.500 | R$ 4.000–R$ 7.000 |
| UTI privada (São Paulo/Rio) | R$ 2.500–R$ 4.000 | R$ 5.000–R$ 8.000 |
Com título AMIB, os valores podem ser 20–40% maiores em muitas instituições.
Quem pode dar plantão em UTI?
- Com título de intensivista (TEA): preferência em UTIs de referência
- Residentes de áreas afins (clínica médica, cirurgia, anestesiologia): aceitos em muitas UTIs
- Generalistas com experiência: atuam especialmente em UTIs de menor complexidade e no interior
Desafios reais do plantão em UTI
- Carga emocional elevada: óbitos frequentes, comunicação com familiares
- Decisões de alto risco: cada minuto conta em situações críticas
- Burnout: a taxa entre intensivistas é das mais altas da medicina
- Atualização constante: guidelines mudam frequentemente
Dicas para quem está começando
- Faça cursos de FCCS (Fundamental Critical Care Support) ou ENARM
- Comece em UTIs de menor complexidade para ganhar segurança
- Tenha um intensivista de referência para tirar dúvidas
- Use checklists — eles salvam vidas e reduzem erros
- Cuide da sua saúde mental desde o primeiro plantão
Vale a pena?
Para quem gosta de casos complexos e decisões rápidas, o plantão em UTI é uma das experiências mais intensas e gratificantes da medicina. A remuneração é atrativa, mas o preparo técnico e emocional precisa acompanhar.
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